(Des)envolvimento Sustentável

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A HORA E A VEZ DA ECOLOGIA MENTAL

Não basta uma ecologia ambiental que vê o problema no ambiente e na Terra. Terra e ambiente não são o problema. Nós é que somos o problema, o verdadeiro Satã da Terra quando deveríamos ser seu Anjo da Guarda
No dia 2 de Fevereiro de 2007, ao ouvir em Paris os resultados acerca do aquecimento global dados a conhecer pelo Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC), o então Presidente Jacques Chirac disse: ”Como nunca antes, temos que tomar a palavra revolução ao pé da letra. Se não o fizermos o futuro da Terra e da Humanidade é posto em risco”.
Outras vozes já antes, como a de Gorbachev e de Claude Levy Strauss pouco antes de morrer, advertiam: “ou mudamos de valores civilizatórios ou a Terra poderá continuar sem nós”.
Esse é o ponto ocultado nos forums mundiais, especialmente o de Copenhague. Se for reconhecido abertamente, ele implica uma autocondenação do tipo de produção e de consumo com sua cultura mundialmente vigente. Não basta que o IPCC diga que, em grande parte, o aquecimento agora irreversível é produzido pelos seres humanos. Essa á uma generalização que esconde os verdadeiros culpados: são aqueles homens e mulheres que formularam, implantaram e globalizaram o modo de produção de bens materiais e os estilos de consumo que implicam depredação da natureza, clamorosa falta de solidariedade entre as atuais e as futuras gerações.
Pouco adianta gastar tempo e palavras para encontrar soluções técnicas e políticas para a diminuição dos níveis de gases de efeito estufa, se mantivermos este tipo de civilização. É como se uma voz dissesse: “pare de fumar, caso contrário vai morrer”; e outra dissesse o contrário: “continue fumando, pois ajuda a produção que ajuda criar empregos que ajudam garantir os salários que ajudam o consumo que ajuda aumentar o PIB”. E assim alegremente, como nos tempos do velho Noé, vamos ao encontro de um dilúvio pré-anunciado.
Não somos tão obtusos a ponto de dizer que não precisamos de política e de técnica. Precisamos muito delas. Mas é ilusório pensar que nelas está a solução. Elas devem ser incorporadas dentro de um outro paradigma de civilização que não reproduza as perversidades atuais. Por isso, não basta uma ecologia ambiental que vê o problema no ambiente e na Terra. Terra e ambiente não são o problema. Nós é que somos o problema, o verdadeiro Satã da Terra quando deveríamos ser seu Anjo da Guarda.
Então: importa fazer, consoante Chirac, uma revolução. Mas como fazer uma revolução sem revolucionários?
Estes precisam ser suscitados. E que falta nos faz um Paulo Freire ecológico! Ele sabiamente dizia algo que se aplica ao nosso caso: ”Não é a educação que vai mudar o mundo. A educação vai mudar as pessoas que vão mudar o mundo”. Precisamos destas pessoas revolucionárias, caso contrário, preparemo-nos para o pior, porque o sistema imperante é totalmente alienado, estupidificado, arrogante e cego diante de seus próprios defeitos. Ele é a treva e não a luz do túnel em que nos metemos.
É neste contexto que invocamos uma das quatro tendências da ecologia (ambiental, social, mental, integral): a ecologia mental. Ela trabalha com aquilo que perpassa a nossa mente e o nosso coração. Qual é a visão de mundo que temos? Que valores dão rumo à nossa vida? Cultivamos uma dimensão espiritual? Como nos devemos relacionar com os outros e com a natureza? Que fazemos para conservar a vitalidade e a integridade de nossa Casa Comum, a Mãe Terra?
Não dá em poucas linhas traçar o desenho principal da ecologia mental, coisa que fizemos em inúmeras obras e vídeos. O primeiro passo é assumir o legado dos astronautas que viram a Terra de fora da Terra e se deram conta de que Terra e Humanidade foram uma entidade única e inseparável e que ela é parcela de um todo cósmico. O segundo, é saber que somos Terra que sente, pensa e ama, por isso homo (homem e mulher) vem de húmus (terra fecunda). O terceiro que nossa missão no conjunto dos seres é de sermos os guardiães e os responsáveis pelo destino feliz ou trágico desta Terra, feita nossa Casa Comum. O quarto é que junto com o capital natural, que garante nossa bem estar material, deve vir o capital espiritual, que assegura aqueles valores sem os quais não vivemos humanamente, como a boa-vontade, a cooperação, a compaixão, a tolerância, a justa medida, a contenção do desejo, o cuidado essencial e o amor.
Estes são alguns dos eixos que sustentam um novo ensaio civilizatório, amigo da vida, da natureza e da Terra. Ou aprendemos estas coisas pelo convencimento ou pelo padecimento. Este é o caminho que a história nos ensina.
                                                                         Leonardo Boff, teólogo brasileiro
FONTE: http://liberal.sapo.cv/noticia.asp?idEdicao=64&id=26543&idSeccao=527&Action=noticia


BEM GALERA! ... AQUI VAI O DESAFIO!
Leonardo Boff traz em seu texto uma crítica a conduta e valores consumistas do ser humano e sua relação com o meio ambiente.
Para solucionar o problema Boff sugere uma mudança. QUAL É ESTA MUDANÇA?  (explique com detalhes)


6 comentários:

  1. Ouvimos falar de várias soluções para melhorar a situação do planeta,e realmente não nos damos conta de quem está acabando com tudo somos nós. Muito bom esse post, vamos esperar boas respostas para o desafio. (Angela)

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  2. Ele cita a mudança pessoal,nós é que devemos mudar para que o mundo mude também.Nossos hábitos são errados e sabemos disso mas a comodidade faz com que continuemos a viver pensando que não estamos afetando nosso ambiente.A conscientização de cada um mudaria nosso planeta.
    -Kellen.

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  3. Maico Jeffi 3°619 de maio de 2011 12:57

    Como o propri altor diz: "Ou mudamos a forma em que vivemos ou a Terra poderá continuar sem nós".
    Quando discutimos sobre o aquecimento global a conclusão é so uma ELE É REAL E NOS SOMOS CULPADOS, falar que nossos antepassados tem culpa é um erro, apenas julgar nao resolve, temos que para um pouco de falar pra começar a fazer. Eu poderia colocar aqui mil dicas de como "mudar o mundo" mais todos estao consados de ouvir isso, o que precisamos mesmo é de um primeiro passo, Que tal voce ser o primeiro: Desligue o computador, leia jornais e recicleos. Ate o proximo post.

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  4. Realmente falamos muito e fazemos pouco.
    Espero que esse texto tenha mudado não so o pensamento, mas as atitudes dos que leram.

    Texto muito bem selecionado por sinal.
    Parabens!

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  5. Sem dúvidas precisamos primeiramente reciclar os nossos valores, todos sabemos apontar os erros da conduta alheia, porém nos falta o bom senso de olhar para nós mesmos... a nossa sociedade prega "o consumo" porque a partir disso seremos felizes, e ao mesmo tempo apresenta os problemas ambientais que isso está acarretando, como se uma coisa não levasse a outra... cabe a nós fazer uma reciclagem das nossas reais necessidades.
    (Aline)

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  6. Pouco adianta gastar tempo e palavras para encontrar soluções técnicas e políticas para a diminuição dos níveis de gases de efeito estufa se mantivermos este tipo de civilização. É como se uma voz dissesse: "pare de fumar, caso contrário vai morrer"; e outra dissesse o contrario: "continue fumando, pois ajuda a produção que ajuda criar empregos que ajudam garantir os salários que ajudam o consumo que ajuda aumentar o PIB".Estes são alguns dos eixos que sustentam um novo ensaio civilizatório, amigo da vida, da natureza e da Terra. Ou aprendemos estas coisas pelo convencimento ou pelo padecimento. Este é o caminho que a história nos ensina.

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